6G: O que é a próxima geração de conexão móvel

O 6G apesar de estar ainda em sua maioria no campo da imaginação, já é perceptível a revolução que essa tecnologia trará consigo. Não se trata apenas de uma inovação, mas de uma nova maneira de interação entre o ser humano, o ambiente e a tecnologia.

O crescente interesse pelo assunto tem levado governos de muitos países a investir em pesquisas e parcerias entre universidades e empresas privadas. Então, vamos mergulhar fundo no mundo do 6G e imaginar o que o futuro reserva.

O que é o 6G? 

O 6G é a sexta geração de tecnologia sem fio que visa trazer maior otimização, maiores velocidades de transferência de dados e complementar o 5G.

A ideia é que com capacidades de comunicação aprimoradas, experimentaremos um novo patamar tecnológico que afetará todos os setores, incluindo saúde, finanças, transporte e educação.

Qual é a diferença entre o 5G e o 6G?

Hoje no mundo ainda estamos nos primeiros passos da utilização da quinta geração. No Brasil, por exemplo, temos apenas 66,4% da população coberta com a tecnologia. A previsão é que no máximo até 2029 vejamos o 5G com a cobertura chegando a 90% das cidades até 30 mil habitantes.

Apesar disso, desde 2020 a sexta geração de tecnologia sem fio vem sendo estudada e projetada para potencializar os recursos das redes 5G, e oferecer cobertura e funcionalidade aprimoradas, além de velocidades de dados móveis ultra rápidas. Veja abaixo como:

Uso de diferentes espectros

Não é segredo que a indústria de tecnologia está avançando incrivelmente rápido. Tecnologias como Big Data, Inteligência Artificial (IA), Machine Learning (ML), automação, robótica, blockchain e protocolos de comunicação sem fio, como 4G e 5G, impulsionaram o ritmo de desenvolvimento.

O 5G e o 6G usam espectro sem fio de maior alcance para transmissão de dados mais rápida do que as redes 4G, 3G e 2G. No entanto, ao comparar 5G e 6G, a primeira opção é alocada para frequências de banda baixa e banda alta – abaixo de 6 GHz (Gigahertz) e acima de 24 e 25 GHz, respectivamente. 

Já o 6G vai operar na faixa de frequência de 95 GHz a 3 THz (Terahertz). Como é usado um espectro diferente, a tecnologia 5G vs 6G pode ter vários casos de uso para uma variedade de setores industriais para aumentar sua eficiência.

Mais rápida que a tecnologia 5G

Por operar em bandas de frequência de terahertz, o 6G fornecerá uma taxa de dados de pico de 1.000 gigabits/s com latência inferior a 100 microssegundos. Quando falamos sobre velocidade de rede 5G e 6G, espera-se que a velocidade 6G seja 100 vezes mais rápida que a 5G, com confiabilidade aprimorada e cobertura de rede mais ampla.

Como vai funcionar o 6G?

O funcionamento exato do 6G ainda não é conhecido em detalhes, pois as especificações ainda não foram totalmente desenvolvidas. No entanto, dependendo das gerações anteriores de redes celulares, pode-se esperar as seguintes funcionalidades:

Uso do espectro livre 

Uma parte significativa da pesquisa 6G se concentra na transmissão de dados em frequências altas. Teoricamente, o 5G pode suportar frequências de até 100 GHz, embora nenhuma frequência acima de 39 GHz seja utilizada atualmente. 

Para o 6G, os engenheiros estão tentando transferir dados por meio de ondas nas faixas de centenas de gigahertz (GHz) ou terahertz (THz). Essas ondas são minúsculas e frágeis, mas ainda existe uma enorme quantidade de espectro não utilizado que pode permitir velocidades surpreendentes de transferência de dados.

Melhoria da eficiência do espectro livre 

As tecnologias sem fio atuais permitem a transmissão ou recepção em uma frequência específica ao mesmo tempo. Para comunicação bidirecional, os usuários podem dividir seus fluxos segundo a frequência (Frequency Division Duplex ou FDD) ou definindo períodos (Time Division Duplex ou TDD). 

O 6G pode aumentar a eficiência da entrega do espectro atual usando matemática sofisticada para transmitir e receber na mesma frequência simultaneamente.

Eficiência energética

Para as novas gerações de conectividade móvel, algo que tem que ser muito bem pensado é a questão energética. Para o 6G, a ideia é usar IA nativa para autoconfiguração e também para obter uma maior eficiência no consumo de energia. Logo que o objetivo é que a rede suporte inúmeros dispositivos e a mesma assim não ter um forte impacto ambiental.

Melhor aproveitamento da rede mesh 

A rede mesh é um assunto popular há décadas, mas as redes 5G ainda são baseadas principalmente em uma arquitetura hub-and-spoke. Portanto, os dispositivos dos usuários finais (telefones). Se conectam a nós âncoras (torres de celular), que se complementam a um backbone. O 6G pode usar máquinas como amplificadores para os dados uns dos outros, permitindo que cada dispositivo expanda a cobertura além de usá-la.

Sustentabilidade

O 6G ao contrário das outras tecnologias está sendo pensado para também ser eco-friendly, de maneira que seja contemplado tanto ao nível econômico quanto pensando na sustentabilidade do ambiente.

Sensibilidade

A tecnologia da 6° geração tem um forte aspecto que coopera para se destacar perante as suas predecessoras. Simplesmente pelo fato de que cada antena se comportará praticamente como um radar, sendo assim possível a captação de movimentos, localização de objetos de maneira precisa, além de inovações como gêmeos digitais.

Aplicações potenciais para o 6G

Segundo o cientista Paulo Sergio Rufino, o 6G ajudará a colocar a humanidade na 4° revolução industrial, com uma forte conexão entre o mundo físico, digital e biológico. Aliado de altas velocidades, baixas latências e largura de banda mais ampla que acompanha a sexta geração, veremos uma gama de setores e organizações, incluindo saúde, transporte, finanças, entre outros, chegando a novos níveis.

Saúde

O uso da robótica na área da saúde deve se tornar comum nos próximos cinco a dez anos. Mesmo que a robótica já seja uma parte menor de alguns procedimentos, a comunicação sem fio com robôs, outros dispositivos e a telepresença mudarão como vemos os cuidados com a saúde.

Dispositivos conectados à IoT, como monitores de saúde, transmitirão informações cruciais em tempo real, permitindo que os médicos prestem cuidados especializados remotamente. Efetivando ainda mais um novo conceito chamado Internet do corpo (IoB) que é a interação de diversas tecnologias de forma direta com o corpo humano.

Setor automotivo

Os carros autônomos já são algo que o 5G veio com promessas de trazer ainda mais para o nosso dia a dia, porém com o 6G, os veículos poderão receber e enviar grandes quantidades de dados instantaneamente. Permitindo que eles conversem entre si otimizando rotas com uma condução ainda mais segura.

Metaverso

Os avanços da nova geração em relação aos tempos de resposta mais rápidos, acelerará ainda mais o ritmo do desenvolvimento de iniciativas de vestíveis como VRs que ajudaram a quebrar de vez a barreira entre o mundo físico e o virtual

Realidade Aumentada (AR)

Com o 6G, a realidade aumentada será dominante, indo desde novas formas de pesquisar o mundo em tempo real, ótimo para atividades educativas, a tecnologia será mais realista e fluida, além de tornar a telepresença ainda mais avançada do que antes.

Robótica

Robôs se tornarão mais autônomos e poderão se comunicar com outros dispositivos para realizar tarefas complexas. Fora a possibilidade de uma maior adaptação a cada contexto por meio do uso de dados dos ambientes e dos indivíduos ao seu redor.

Casos de uso

Em vários países podemos ver ideias sendo desenvolvidas pensando na próxima geração de conexão, seja por iniciativas públicas ou privadas, o objetivo é trazer mais materialidade para a nova rede.

Samsung

Uma das maiores empresas de tecnologia da Coreia do Sul e do mundo, a Samsung está focando na criação de inovações como objetos digitais, realidade aumentada e hologramas.

Nec

Em parceria com a Docomo e a NTT, a NEC quer pensar em soluções aprimoradas para 2030, mirando promover uma Infraestrutura Social Inteligente. Alguns exemplos do que está sendo feito, são dispositivos que ajudarão a reduzir o consumo de energia e métodos de transmissão e modelos de propagação para bandas de alta frequência

NTT DoComo

Como trouxemos antes, uma das aplicações que a tecnologia 6G trará à realidade é a capacidade de transmitir sensações e de movimentos humanos. A NTT DoComo trouxe na Mobile World Congress 2023 um exemplar de vestível que transmite a sensação de toque de uma pessoa à outra.

Nokia

Na Alemanha, a Nokia lidera um dos diversos projetos de pesquisa e padronização da tecnologia. Chamado de 6G-ANNA, o piloto contará com mais de 30 parceiros – incluindo Ericsson, Bosch, Siemens, Airbus e Vodafone. 

Ericsson

No final de 2022 no Brasil, a Ericsson inaugurou o Centro de Pesquisa em Engenharia Smart Networks and Services 2030 (Smartness), que pretende estudar o avanço do 5G e sua transição para o 6G. O espaço trabalhará com pesquisas para criar redes baseadas em Inteligência Artificial e aplicações digitais avançadas na próxima fronteira da tecnologia. 

Os desafios do 6G

Apesar de todas as coisas boas que estamos vendo, tem um lado que deve ser entendido também a respeito do assunto.

Estados Unidos X China

Segundo o professor Adriano Polídoro do Senac Santa Catarina, a posição de vanguarda no 5G da China chamou a atenção dos Estados Unidos que nos últimos tempos tem buscado se posicionar como líder no desenvolvimento de tecnologias para o mundo 6G para não ficar para trás novamente.

USA

Prova disso, é a criação de uma associação chamada ATIS para assegurar a vantagem estratégica americana no 6G. Além é claro da criação de uma aliança chamada Next-G composto por empresas como Microsoft, Nokia, AT&T, Verizon entre outras empresas para influenciar políticas governamentais, financiamento e incentivar a venda das últimas tecnologias para novos segmentos de mercado e negócios.

Vale dizer também que o Japão firmou uma parceria com os Estados Unidos para comercializar com os americanos as tecnologias desenvolvidas para a sexta geração como semicondutores.

China

No outro lado, a China realizou em 2020 o lançamento de um satélite que permite a entrega de sinal de 6G, olhando principalmente para smart cities, proteção ambiental e prevenção de desastres. Outro exemplo, é a afirmação de cientistas de Nanjing que em laboratório conseguiram uma taxa de 206,25 gigabytes por segundo em teste com o 6G.

No âmbito privado, empresas chinesas como Huawei, ZTE e China Mobile também vem desenvolvendo iniciativas, a Huawei, por exemplo, está desde 2017 estudando sobre o assunto, chegando a publicar um livro chamado “6g: The Next Horizon” (6G: O próximo Horizonte, em português).

No final das contas, a questão central dessa quase “Guerra fria” gira em torno dos padrões que cada um quer desenvolver da tecnologia, o que acaba impactando principalmente a cadeia global de suprimentos, de equipamentos de transmissão e terminais. Logo que, tudo depende da definição de um padrão de frequência e a escala de produção global.

Há quem diga que se acontecer de ter um duplo padrão veremos um impacto negativo na economia de escala, além de que segundo o professor titular do Inatel, José Marcos Câmara Brito, o 6G não seria mais uma tecnologia global e que é interessante nem chamar de 6G.

Outros desafios

Além dessa questão geopolítica que acompanha essa nova geração de redes móveis, outros desafios que acompanham o 6G são:

  • Alto custo de equipamentos
  • A necessidade futura de uma quantidade razoável de dispositivos móveis compatíveis
  • A demanda de um grande poder computacional e espaço de armazenamento de dados
  • Alta precisão e previsibilidade do envio e recebimento de dados

Quando o 6G será lançado?

É importante ressaltar que o 6G ainda está em estágios iniciais de pesquisa e desenvolvimento, e a implementação comercial provavelmente ocorrerá em algum momento após 2030. 

Nos próximos anos a expectativa é que sejam definidas questões de limite de velocidade, faixas de frequências e quais serão as regras da rede. O principal ator na condução dessas definições é a União Internacional de Telecomunicações que deseja até 2025 ter bons avanços nessas questões.

Segundo o professor Luciano Leonel da Inatel, entre 2030 e 2033, veremos a padronização acontecendo, já a implantação, entre 2033 a 2035

6G no Brasil

Ao contrário do que muitos pensam, o Brasil não está tão atrás de outros países como ocorreu nas gerações anteriores.

Um bom exemplo é a iniciativa da Inatel em parceria com a MCTI (Ministério da Ciência, tecnologia e Inovação) e a RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa) Chamada Projeto Brasil 6G. Esse projeto planeja definir o que é necessário para que os casos e aplicações com o 6G ajudem no desenvolvimento econômico e social da nação.

Nele já foram identificadas algumas aplicações, por exemplo, para o agronegócio brasileiro. Alguns exemplos que podemos citar é a pecuária de alta precisão com o uso de sensores biológicos para a coleta de informações em tempo real do animal. Além de sistemas de monitoramento climático e o uso de internet das coisas em meios de transporte para monitorar a eficiência do transporte e armazenagem.

Ademais desse movimento, como já falamos antes, temos empresas globais como a Ericsson investindo em pesquisas no Brasil para ver como está o andamento do 5G e como será a transição para a sexta geração.

Conclusão

Apesar de 2030 estar um pouco longe, o 6G não será uma rede para apenas empresas e indústrias como o prometido no início do 5G, mas uma rede para as pessoas, algo que impulsionará o ser humano para uma nova compreensão de como ele interage com o mundo e a tecnologia com ele.

Até lá, confira o nosso material sobre 5G e veja como está a quinta geração de conexão móvel no Brasil!

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